Pratique o tal do desapego

desapegoAs coisas passam, e acredito que precisamos finalizá-las para que outras coisas possam chegar até nós.
Quando acumulamos sentimentos, saudades, fotos, objetos e tudo que não nos pertence mais, a energia não flui, sua vida não flui.
Pra que ter ou guardar lembranças tangíveis, se temos um software poderoso chamado memória de longo e curto prazo?
É importante entender que não estamos cedendo ou jogando fora algo que foi importante na nossa vida. Não, não tem nada a ver, estamos apenas guardando em suas gavetas aquilo que já teve seu valor, é o ciclo da vida. Já falei sobre isso aqui.
Eu sei que não é fácil, mas é necessário. Tire esse peso das costas, reúna forças, amigos, tome um porre, procure novos amores ou apenas faça por você.
Visitar o museu é uma delícia, mas viver nele é um saco!
Pratique o tal do desapego.

Crônica: @carlazatorre

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Eu preciso dizer que te amo

Clica aqui e boa leitura!

Te amo! Já gritei tantas vezes dentro dos meus pensamentos e no silêncio da minha fala.
Acordo pra te olhar dormindo e falar bem baixinho: eu amo você.
Penso em dizer pra ti, mas desisto. Não quero precipitar as coisas, não sei qual seria sua reação. É cedo? É tarde? Desnecessário?
Ficamos todos os dias dizendo que nos adoramos, nos gostamos, mas por dentro eu só queria dizer o quanto eu te amo! O quanto esse meu sentimento é verdadeiro e tão delicioso de sentir.

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O mais engraçado disso tudo é que as vezes que eu falei – em silêncio – o enquanto eu te amava, sentia dentro de mim uma palpitação descompassada, sentia meu corpo suar de nervoso e as borboletas no estômago voavam.
Eu tenho certeza que eu a amo desde o 3º encontro, desde a nossa primeira conversa, desde antes mesmo de te conhecer.
Encontrei a peça que faltava para completar a palavra amor.

Crônica: @carlazatorre

O primeiro encontro

Música pra compor o texto.

Nervosismo do primeiro encontro depois de algum tempo namorando.
Essa sensação de frio na barriga, suor, tremedeira e arritmia é quase um dejà vu.
Aqueles eternos questionamentos sobre roupa, bafo, conversar e tudo mais passam como se fossem Usain Bolt batendo mais um recorde nos 200 metros rasos.
Ela manda mensagem falando que está a 3 quadras de distância. Eu cogito a possibilidade de sair de lá. Quando vejo, já é tarde, ela sobe as escadas em direção ao primeiro andar da pequena cafeteria de SP.
Eu a cumprimento e quebro o gelo com o primeiro assunto que veio na minha cabeça. Com o passar do tempo a conversa fica mais leve, amenidades ajudam nesse momento.
Quando nervosa, não paro de falar. Tenho dó dessa garota, que me aguentou falando a noite inteira.

photo-1444839368740-f0d3572f8067Ela ri de tudo e todos, mas engana-se quem acha que seja um riso debochado. Vi como timidez, um riso de quem não sabe o que fazer com as besteiras que eu falo.
Considero que o encontro foi bom, pois esqueci das horas, do celular e do resto do mundo que lá fora vivia sua vida. Me concentrei nela, em cada detalhe do seu rosto, mão, trejeitos e as batidas na mesa que vira e mexe me assustam, já que eu estava distraída em seu mundo. Nesse que me fez ficar e querer explorar…

Crônica: @carlazatorre

O que você fez comigo?

Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=q0UEkvgOnqI

“Você me abraçou, me beijou, deitou em mim”.

Despretensão poderia ser o nome dela, inesperado o sobrenome.
Ela me faz ser tão diferente do que fui com as outras, me faz olhar para o futuro e ter calma, me faz rir e sorrir sozinha lembrando das coisas que fizemos.
Em pouco tempo já me fez mudar mais do que anos. Que poder é esse que ela tem sobre mim?
Durmo um dia com ela e sinto a necessidade de já pedi-la em casamento, para ter o prazer e a felicidade de acordar todos os dias ao seu lado.

Ahhh, que delícia é saber que eu acordo e durmo falando com ela. Na verdade, passo o dia inteiro querendo demonstrar que o que eu sinto é tão puro e real, que me sinto uma criança boba com seu primeiro amor.
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Olho pra ela e quero gritar: cara, eu amo você, amo como jamais amei alguém. Amo com ternura, com respeito, com vontade de cuidar, amo com o mais nobre dos sentimentos e amo com paixão!
O que você fez comigo, garota? Por que me deixa assim tão apaixonada? Me passa o telefone da macumbeira que você contratou, porque quero agradecê-la por tudo! Ela merece sentir um pouco do que sinto quando estou com você: felicidade plena!

Crônica: @carlazatorre

Carta sincera sobre Insensatez

Passei minha infância usando o perfume que minha mãe usava. Insensatez era o nome. É engraçado como somos sensoriais. Um simples perfume pode trazer à tona sentimentos, amores esquecidos e lembranças que você quase não visita.

Pessoas próximas sentiam meu cheiro nas ruas e falavam que tinha alguém com o mesmo perfume que eu. Elas lembravam de mim nas esquinas da vida.

Usei por tanto tempo… E usava muito. Um dia fui a uma loja da O Boticário e descobri que foi descontinuado. Que tristeza, era como se eu tivesse perdido uma parte do que fui, e desculpa o trocadilho, perdi a minha essência! De repente, tive que procurar outro que fosse similar ao Insensatez, tive que me acostumar a viver sem aquilo que me fazia tão bem. Assim como temos que fazer com os amores, as amizades… Fiquei à mercê, mas achei um substituto do meu grande amor. Eu o amava, mas nunca esqueci do outro…

Banho após banho, saída após saída, eu já nem lembrava mais… Até que em uma quinta-feira recebi um e-mail do O Boticário: “Carla, o Insensatez voltou e é por tempo limitado”.

Quando li aquele e-mail meu coração acelerou, uma alegria tomou conta de mim e corri para comprar dois perfumes e quero comprar mais 50 milhões de frascos para nunca mais viver sem ele.

Sempre digo que tudo que eu amo muito vem em uma embalagem escrito “tempo limitado”. De novo, a vida é assim… Por tempo limitado.

Foram quatro dias recebendo e-mails de confirmação de pagamento; pedido enviado à transportadora; pedido a caminho, até que hoje, às 17h, recebo uma caixa rosa escrito: “Sua beleza chegou”.

Não, O Boticário! Não foi minha beleza que chegou. O que chegou foram os amores que eu tive, as amizades que ficaram, os lugares que eu passei, a vida que eu tive há tantos anos e a sua essência que me acompanhou.

Ao girar a tampa, aquele cheiro invadiu minhas lembranças e lá estavam elas… Todas as minhas histórias. Era como se eu estivesse voltando para casa. Então, percebi que sim, voltei para minha essência.

Obrigada, O Boticário.

Perfume insensatez do O Boticário

Perfume insensatez do O Boticário

 

Não (sobre)viva na cautela. Ame!

Clica, solta a música e vem amar (de verdade)

Hoje eu decidi escrever. Faz tempo que uma folha em branco e um copo de café me assustam um pouco. Falar de amor tornou-se algo fora da minha rotina corrida. Talvez porque pela primeira vez na vida me vi presa na fase do jogo no qual já percorri todo o cenário e não sei o que fazer para passar de fase. Talvez eu nem precise. Basta apenas esperar. É que eu não gosto de esperar. Não gosto de pagar pra ver. Não gosto que o outro tome a atitude por mim. Não sou dessas. Sou de muita coisa. Sou de jogar verdades, de falar besteira, de fazer careta para a câmera de segurança do shopping. Mas não sou de estagnar, parar, ficar com os braços na corda do comodismo.

 

É que eu não acredito sabe? Não acredito nessa de amar pra sempre, de pertencer ao outro, de felizes por toda eternidade. Não é que eu seja descrente, fria, sem sal, sem amor. É que eu sou sincera comigo mesma e com o outro. E isso me custa, e custa muito.

 

Não se acha por aí alguém que entenda que a ideia de eternidade é uma ilusão criada por nós por medo de aceitar que estamos sozinhos na vida. É duro encontrar alguém que compreenda que “status de relacionamento” é falsa sensação de segurança. É complicado. É difícil você aceitar que o outro não é propriedade sua e que para mantê-lo por perto você precisa se mover. A conquista não pode acabar no primeiro encontro. E não é porque é fofo mandar flores, mas é necessário manter a manutenção do querer.

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É tão mais gostoso alguém estar com você porque ela quer estar e não por um compromisso com o “eterno”. O compromisso precisa ser entre você e o outro. E não entre você, o outro, a vida de vocês, as famílias, os amigos, os planos, o fracasso. Sim, fracasso. Porque nos prendemos ao comodismo de nossas relações por acreditar que se algo chega ao fim, termina, acaba, quer dizer intrinsecamente que fracassamos. Por Cristo, por quê fracasso? Simplesmente acabou. Foi bom, foi maravilhoso, mas assim como um sorvete acaba, o relacionamento chegou ao seu fim.

 

Quando compreendemos que fracasso e amor não andam juntos, que felicidade e continuidade se completam, que ninguém pertence a ninguém e por fim, que nossas ilusões de segurança sabotam nossos felizes para sempre, compreenderemos que, ficar parado é não amar, a si, a sua vida e ao outro.

 

Crônica por: @jessicaotte

Morte e vida durante a vida

Temos a mania de achar que a morte chega (ou a vida acaba) quando os nossos corações param de bater.

Será que o nosso último suspiro é realmente o último?

Acredito que morremos todos os dias. Essa morte é fundamental para que a sua vida não seja tediosa e cheias de expectativas infundadas. Chamo isso de morte previsível ou anunciada. Morremos para nascermos de novo e de novo.

Quando um grande amor se vai, a dor é tão grande que pensamos que a morte virou a nossa melhor amiga. Tipo a morte dos quadrinhos do Maurício de Souza. Choramos essa dor aguda. Daqueles filmes dramalhões, que o sofrimento é tanto que o corpo desliza pela parede com aquele música de fossa ao fundo.

Fique tranquilo, essa dor chega que nem furacão, mas ela passa e nascemos de novo.

Separações são ruins e temos que senti-las. Elas precisam fazer sentido em nossas cabeças. Mas somente lá, porque em nossos corações, fazer sentido é inútil.

Mas não é só em relacionamento que você sabe que a morte está próxima. Seu trabalho já não te dá tesão; é uma tortura ter que encontrar aquele seu amigo; a casa dos seus pais te incomoda tanto que você arruma desculpas pra chegar tarde todos os dias…

Entende? Esta morte é a previsível, você só não quer enxergá-la, e às vezes demora pra tomar uma atitude por pura falta de coragem ou comodismo.

Aqui jaz a morte da vida durante a vida. Ok, mas e a vida? Quando nascemos de novo?

Nascemos quando encontramos um outro grande amor, um novo emprego/cargo, novos/antigos amigos, uma viagem, um curso, livro, filme, faculdade, ou simplesmente quando alguém ou algo tira você da inércia. Nascemos a cada morte. Essa é a lei natural da vida!

Falar sobre morte é fácil, viver e nascer que é difícil. No dia-a-dia, ter esse pensamento ou positividade é complicado. Acordar todos os dias e ter que enfrentar o mundo não é o melhor dos cenários, ♫ “mas isso é viver, é aprender” ♪.

O importante no final é sempre encontramos forças para (re)nascer até que o nosso coração resolva não funcionar mais. Hakuna Matata. 🙂

Crônica: @carlazatorre

Revisão: @larissa815